Histórias, artigos e reportagens

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Ed_5_out/dez.2017

Os feiticeiros

Antônio é como aqueles adolescentes africanos de que fala o escritor inglês. Os adolescentes sabiam dos deuses católicos e dos seus próprios deuses, mas só veneravam o uísque e o schilling. Antônio conhece muito bem N. S.ª das Dores, está familiarizado com os orixálas da África, mas só respeita o papel-moeda e o vinho do… Continue lendo...

As Iauô

A recordação de um fato triste — a morte de uma rapariga que fora à Bahia fazer-santo — deu-me ânimo e curiosidade para estudar um dos mais bárbaros e inexplicáveis costumes dos fetiches do Rio. Fazer-santo é a renda direta dos babaloxás, mas ser filha-de-santo é sacrificar a liberdade, escravizar-se, sofrer, delirar. Os transeuntes honestos,… Continue lendo...

O feitiço

Nós dependemos do Feitiço. Não é um paradoxo, é a verdade de uma observação longa e dolorosa. Há no Rio magos estranhos que conhecem a alquimia e os filtros encantados, como nas mágicas de teatro, há espíritos que incomodam as almas para fazer os maridos incorrigíveis voltarem ao tálamo conjugal, há bruxas que abalam o… Continue lendo...

A casa das almas

Os negros “cambindas” do Rio guardam com terror a história de um branco que lhes apareceu certa vez em pleno sertão africano. Quando o rei deu por ele, que por ali vinha calmo, com as suas barbas de sol, precipitou-se mais a tribo em atitude feroz. O branco tirou da cinta um pequeno feitiço de… Continue lendo...

Os novos feitiços de Sanin

— Pois seja! — disse Antônio, tomando coragem — V. S. pode ir, mas não cuspa, não fume e não coma nessa casa. Eu não vou. — Acompanhas-me até a porta? — Até à esquina. Ficarei de alcateia. Sanin e Ojô são capazes de me acabar com a vida. A vida de Antônio é uma… Continue lendo...

A igreja positivista

O amor por principio E a ordem por base. O progresso por fim.  Era domingo, à porta do templo da Humanidade, na Rua Benjamin Constant. Com o céu luminosamente azul e o sol tépido, havia muita concorrência nessa rua, de ordinário deserta: senhoras, cavalheiros de sobrecasaca, militares, crianças. Uns subiam logo as escadas do templo,… Continue lendo...

O maronitas

O povo maronita, dizia o papa Benedito, é como uma flor entre os espinhos. Se o pontífice notável tinha essa doce frase para pintar os homens do monte Líbano, os que o sucederam guardaram tão perfumada imagem, e hoje, quando se fala dos maronitas, logo se recordam a flor e os espinhos anti-gos. Tudo, porém,… Continue lendo...

Os fisiólatras

Quando resolvi interrogar o hierofante Magnus Sondhal, sabia da fisiolatria o que os prosélitos deixavam entrever em artigos de jornal cheios de nomes arrevesados e nos comunicados, nos copiosos comunicados trazidos aos diários por homens apressados e radiantes. Pelos artigos ficara imaginando a fisiolatria um conjunto de positivismo, ocultismo e socialismo; pelos comunicados vira que… Continue lendo...

Onde estão os empregos?

No primeiro trimestre de 2017, o Brasil bateu um recorde do qual não pode se orgulhar: o desemprego no país atingiu o maior nível da história, e o assunto nunca foi tão discutido pela população. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua indicou 14,2 milhões de desempregados no período, o que equivale a… Continue lendo...

“Você tem alguma coisa?”

Apresentação Heróis ou coitados. É assim que, na maioria das vezes, a mídia retrata pessoas com deficiência que apenas… vivem — de um jeito diferente, mas vivem. É assim também com pessoas com paralisia cerebral, que já foi descrita por um repórter como sendo uma doença grave. O rótulo de “exemplo de superação”, dado muitas… Continue lendo...

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